A Biblioteca Universitária da Unoesc disponibiliza este espaço a fim de promover junto aos usuários informações sobre os benefícios que a biblioteca oferece aos acadêmicos, dicas de livros, novidades e outros temas importantes, mantendo assim, nosso público satisfeito e bem informado. Sugerimos a todos os visitantes que participem, comentando os eventos, indicando sugestões e compartilhando conosco aquilo que esperam deste espaço. Cordialmente, Equipe Biblioteca

segunda-feira, 25 de março de 2013

Biblioteca Brasiliana Mindlin inaugura com exposições

Por Frances Jones

Agência FAPESP – Um novo capítulo da história da biblioteca formada pelo casal Guita e José Mindlin começa a ser escrito a partir deste sábado (23/03), com a abertura para o público do edifício que agora abriga os mais de 32 mil títulos da coleção brasiliana doados em 2006 pelo bibliófilo e empresário à Universidade de São Paulo (USP).

Autoridades e cerca de 500 convidados haviam confirmado presença para o evento que marca a inauguração da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em um edifício moderno de 20 mil metros quadrados dentro da Cidade Universitária, em São Paulo, projetado pelos arquitetos Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb (neto do casal), com assessoria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

A partir do dia 25 de março, o público poderá conferir a exposição permanente Não faço nada sem alegria – lema do ex libris da biblioteca –, com painéis incluindo imagens, textos e vídeos sobre a vida do casal, a formação da biblioteca, a construção do edifício, a cultura, a materialidade e a conservação do livro, a história da imprensa e o prazer da leitura.

“A exposição de longa duração foi pensada junto com a arquitetura do edifício; há, por exemplo, imagens de Mindlin lendo trechos de poemas ou do Grande Sertão Veredas”, disse Pedro Puntoni, diretor da biblioteca e coordenador do Projeto Brasiliana USP.
Uma segunda exposição, de curta duração, prevista para seguir até o dia 28 de junho, apresentará os cem livros e documentos mais valiosos, importantes e significativos da Biblioteca Mindlin, devidamente protegidos em vitrines de vidro e metal.

Obras originais de autores como o viajante alemão Hans Staden (1525-1579), o pintor francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848), o empresário português Gabriel Soares de Sousa (1540-1591) e os escritores brasileiros João Guimarães Rosa (1908-1967) e Graciliano Ramos (1892-1953) integrarão essa mostra, que inclui ainda 12 iPads, para que os visitantes folheiem virtualmente alguns dos livros expostos – que também estão disponíveis, digitalizados, no site da biblioteca.
Digitalização do acervo

Parte da biblioteca que é inaugurada agora – aproximadamente 3,5 mil títulos – está disponível para download no site da instituição, que é um órgão da Pró-Reitoria e Extensão da USP.
“Temos mais títulos digitalizados, mas estamos colocando aos poucos [no site], porque o maior trabalho não tem sido a digitalização e sim os metadados, a catalogação, a preparação”, afirmou Puntoni, professor na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

O projeto de digitalização da Brasiliana Mindlin, considerada a mais importante coleção do gênero formada por um particular, contou no seu início com apoio da FAPESP, que, segundo o diretor, foi importante para a montagem do laboratório de digitalização e a criação do site.
“A pesquisa apoiada pela FAPESP resultou também na definição de uma plataforma para a digitalização de livros raros e documentos de acervos memoriais”, disse Puntoni.
Várias outras instituições culturais, como a Biblioteca Mário de Andrade, o Instituto Moreira Salles, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Arquivo Público do Estado de São Paulo, também estão usando ou em vias de usar esse produto desenvolvido com o apoio da FAPESP, a Plataforma Corisco, que é ao mesmo tempo um software, uma política e um conjunto de regras e procedimentos.
De acordo com Puntoni, o projeto da Brasiliana digital obteve apoio da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “O apoio da FAPESP nos permitiu avançar com um projeto, consolidá-lo, e o BNDES veio e bancou a continuidade dele”, afirmou. O projeto está organizado em um núcleo de pesquisa coordenado por Puntoni e pelo professor Edson Gomi, da Engenharia da Computação da Escola Politécnica da USP.

A digitalização deve ser retomada agora com mais equipamentos e equipe maior, mas o público já pode fazer o download, por exemplo, da obra completa de autores como Joaquim Nabuco, Joaquim Manoel de Macedo, José de Alencar e Casimiro de Abreu.
Abertura para pesquisa

Os pesquisadores, no entanto, terão ainda de aguardar até o dia 2 de abril para ter acesso aos livros físicos. A partir de então, a consulta poderá ser feita mediante agendamento (regras no site), inicialmente em um horário reduzido, das 13h às 17h.
“Assim que conseguirmos a contratação de mais bibliotecários, vamos atender também pela manhã, de segunda a sexta”, afirmou Puntoni. Atualmente com 16 funcionários, a biblioteca deverá chegar a 33. Mas ela conta ainda com o trabalho de colaboradores, entre bolsistas, professores, alunos de pós e da graduação e estagiários.

Os pesquisadores são “antigos conhecidos” da Brasiliana Mindlin, que a consultavam desde a época em que ela estava abrigada na casa de Guita e José Mindlin, no Brooklin, zona sul de São Paulo. O próprio Puntoni passou a frequentá-la, como pesquisador, quando preparava o seu mestrado sobre a escravidão africana no Brasil Holandês e as guerras do tráfico no Atlântico Sul, no início da década de 1990.
Estudiosos das áreas de história da ciência, história do livro e da leitura, história do Brasil e de humanidades, entre outros, deverão ter interesse especial em investigar o acervo, formado ao longo de mais de 80 anos.
A biblioteca já abriga diversos grupos de pesquisa e tem se destacado como um centro de investigação na área das humanidades digitais, de estudiosos interessados em explorar a produção, a organização e a difusão da informação no meio digital (veja o site do grupo que é coordenado pela professora Maria Clara Paixão de Souza: http://humanidadesdigitais.org).

O curioso é que o acervo não parou de crescer com a morte de José Mindlin, em 2010. Apesar de no documento de doação à USP assinado por ele constar 17 mil títulos, descobriu-se depois, no processo de inclusão no sistema Dedalus de catalogação da USP, que na verdade a coleção era formada por pelo menos 32 mil títulos, correspondentes a cerca de 60 mil volumes.
“Muitos não haviam sido catalogados por José e pelas pessoas que o ajudavam. Fizemos uma assinatura de uma lista complementar de mais de 15 mil títulos”, afirmou Puntoni. Além disso, as doações não pararam de acontecer e a biblioteca também foi autorizada a ter uma verba para novas aquisições.
“Isso mostra um lado importante, que é essa dimensão de que a biblioteca é viva; ela não foi pensada para ser um memorial. Não é uma biblioteca morta, congelada. Não é a coleção do José Mindlin. É a biblioteca que ele criou, que continua viva, que vai continuar se expandindo”, afirmou Puntoni. “Queremos continuar recebendo doações, sobretudo dos bibliófilos, de livros raros e importantes.”
Biblioteca de obras raras

Além do bloco que está sendo inaugurado agora, o edifício da Brasiliana tem uma outra parte que ainda está em obras. Esse segundo bloco, previsto para ficar pronto em junho ou julho próximo, deverá abrigar o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) e o departamento técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi) da USP, responsável pelo gerenciamento das 70 bibliotecas da universidade e pela Biblioteca de Obras Raras, que está em processo de criação.
“A Biblioteca de Obras Raras foi pensada como um serviço para todas as bibliotecas da USP”, afirmou Puntoni. “Nem todas têm condições de guarda, conservação e segurança dessas obras.”
Assim, as faculdades que quiserem poderão ter as obras mais raras de suas bibliotecas guardadas de forma apropriada e digitalizadas. “Quem quiser trazer para cá terá uma guarda permanente, com câmaras de segurança, ar condicionado e profissionais capacitados.”

A digitalização dos títulos dessa biblioteca também começou. Segundo o diretor, já foram digitalizados quase 2,5 mil títulos de obras raras da USP. “Quando lançarmos a biblioteca física, já teremos uma política e uma biblioteca digital.”

A ideia é ainda promover eventos, como seminários e conferências no auditório do edifício, com capacidade para 300 pessoas, que também será inaugurado no sábado e recebeu o nome István Jancsó, em homenagem ao primeiro diretor da Biblioteca Mindlin, falecido em março de 2010, que concebeu todo o projeto da Brasiliana.

Além do auditório, da Biblioteca Mindlin e das duas salas de exposições, o bloco que será inaugurado agora tem uma terceira sala para exposições, uma livraria da Edusp (já em funcionamento) e um espaço para cafeteria, ainda desativado.
Mais informações, como as regras para agendamento de pesquisas e horários de funcionamento, estão em: www.brasiliana.usp.br.

terça-feira, 19 de março de 2013

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA EM HOMENAGEM AO DIA MUNDIAL DA ÁGUA

Local: Espaço Cultural da Biblioteca da UNOESC


Data: 18/03 à 22/03/2013

Realização: UNOESC E COMITÊ RIO DO PEIXE


Venha conhecer as águas de Rio do Peixe






sexta-feira, 8 de março de 2013

EXPOSIÇÃO - ARTE

Entre os seres imaginários e a pareidolia: perspectivas de (trans)mutações.

Artista: Sandra Engel

Data: 18/02 à 20/03/2013 (Abertura 20:00 - 18/02)

Local: Espaço Cultural da Biblioteca Universitária
- UNOESC
Venham prestigiar a Cultura regional!




quinta-feira, 28 de junho de 2012

O ocaso do maior escritor do século 20

O escritor Gabriel García Márquez perdeu definitivamente a memória. Pelo menos esta é a conclusão a que chegaram os meios de comunicação colombianos depois de uma entrevista do autor, terça-feira passada, ao jornalista Plinio Apuleyo, seu amigo íntimo. Depois de duas horas com Gabo, o jornalista revelou que a demência senil já não permite ao escritor escrever e sequer reconhecer familiares e amigos próximos.




“Nas últimas vezes que conversamos pessoalmente, na Cidade do México, ele repetiu várias vezes: ‘Como anda você? O que tem feito? Quando volta de Paris’? Muitos amigos comuns com quem falei sobre o assunto disseram que com eles aconteceu a mesma coisa. Gabo fez as mesmas perguntas. Existe a suspeita de ele tenha algumas fórmulas. Se não reconhece alguém, não pergunta ‘quem é você’?. Prefere fazer perguntas genéricas. Dói muito vê-lo assim. Gabo sempre foi um grande amigo”, disse Plinio Apuleyo.

Há pelo menos cinco anos a deterioração da saúde de García Márquez tornou-se pública. Os primeiros sinais foram dados quando ele renunciou a continuar escrevendo suas memórias (“Viver para contá-la”, primeiro volume de uma trilogia frustrada) e enfrentou a morte de um irmão. Pouco antes o escritor tinha sido vítima de um linfoma do qual saiu intacto.

Em 2007, quando o Congresso do Idioma celebrou em Cartagena de Índias, na Colômbia, os 40 anos da publicação de “Cem anos de solidão”, García Márquez, pai do cineasta Rodrigo García, se deixou ver sorridente e feliz, vestindo um terno de linho branco. Em nenhum momento, porém, falou em público nem concedeu entrevistas. Nesta época surgiram os primeiros rumores sobre os lapsos de memória do Prêmio Nobel de Literatura de 1982.

No mesmo ano, o escritor britânico Gerald Martin escreveu a biografia oficial de Gabo, “Uma vida”, na qual se pode ler, nas entrelinhas, a notícia velada da enfermidade do autor: “Ele era capaz de recordar a maioria das coisas do passado distante, embora tivesse dificuldade em recordar os títulos de seus livros. Mas mantivemos uma conversa normal, até divertida”, diz Martin.

Há um ano, alguns meios de comunicação chegaram a anunciar que Márquez estaria em vias de morrer em Paris. Sua mulher, Mercedes, e sua agente literária, Carmen Balcells, desmentiram a notícia. Gabo não estava em apuros nem estava em Paris. Permanecia em sua casa no México. Há poucos meses a família divulgou uma foto tirada na festa dos 85 anos do autor.

Nos tempos de sua pródiga produção literária Gabriel García Márquez brindou o mundo com uma coleção de obras primas, que o tornaram, na opinião de muitos o maior escritor do século 20. Entre elas se incluem “Ninguém escreve ao coronel”, “Crônica de uma morte anunciada”, “O outono do patriarca”, “O amor nos tempos do cólera”, “Cheiro de goiaba”, “O general em seu labirinto”, “Do amor e outros demônios”, além de uma vasta obra como jornalista e cronista.


Dez frases

“Um único minuto de reconciliação vale mais do que toda uma vida de amizade”.
“O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão”.
“A sabedoria é algo que, quando nos bate à porta, já não serve para nada”.
“O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”.
“Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se”.
“Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo”.
“Te amo não por quem tu és, mas por quem sou quando estou contigo”.
“Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiver triste, porque nunca se sabe quem pode se apaixonar por teu sorriso”.
“Dou valor as coisas, não por aquilo que valem, mas por aquilo que significam”.
“O problema do casamento é que se acaba todas as noites depois de se fazer o amor, e é preciso tornar a reconstruí-lo todas as manhãs, antes do café”.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A concha do conhecimento

Socializar o conhecimento tácito é a primeira etapa da criação de conhecimento, tal como foi codificada pelo professor Ikujiro Nonaka. Antes disso, é inútil pensar ser possível seguir as três etapas sucessivas de seu modelo SECI: a Expressão, a Combinação e, finalmente, a Integração de novos conhecimentos. Como seu nome indica, nessa fase inicial a dimensão humana, social e relacional é fundamental. Ela desenvolve-se no contexto do conceito bem japonês de Ba, definido por Nonaka como um “espaço compartilhado em movimento”, e que propomos traduzir por “comunidade de conhecimento”.

Uma comunidade de conhecimento reúne, sobre a base de um interesse comum, atores de naturezas diferentes, de dentro e de fora da empresa, em uma estratégia de produção de conhecimentos operacionais que sirvam a todos os participantes. Esse espaço relacional pode ser físico, virtual ou híbrido e seus componentes concordam, de forma implícita ou explícita, quanto à necessidade de cooperarem para transporem juntos uma fronteira de conhecimento que pode se revelar tão concreta como as características de um produto ou de um serviço existente ou a ser criado.

Mais do que recensear o que é conhecido, o objetivo da socialização consiste em trazer à tona elementos até então não valorizados, nem formalizados e que provêm dessa dimensão tácita crucial para a criação de novos conhecimentos. Para Nonaka, é como se esses elementos estivessem aprisionados na gravitação de práticas individuais não consideradas. Para libertá-los dessa gravidade em que estão encerrados, é necessário estabelecer condições favoráveis que lhes permitam expressão, e a energia reunida para fazer esse foguete decolar vem de relações de confiança sem as quais nada pode ser esperado.

Nessa primeira fase do processo SECI, o objetivo da empresa não é o de captar ou o de verificar hipóteses ou informações que ela já conhece. Mas é de demonstrar dentro dos Ba atenção, disponibilidade e uma grande abertura de espírito ao ponto de parecer não ter expectativas particulares. Querer buscar, de forma invasiva junto a clientes, informações precisas sobre suas opiniões, suas representações, suas expectativas, seus conhecimentos, suas repulsas… terminaria por esterilizar a criatividade desse espaço compartilhado. Equivaleria a incitar uma ostra a se fechar. Uma concha precisa de um ambiente confiável e nutritivo para se abrir; assim que percebe intenções estranhas ela se fecha, e é isso o que deve ser evitado.

Uma comunidade de conhecimento funciona porque é animada por um interesse, por uma bússola que abrange e que excede a necessidade da empresa que participa de seu movimento. Não se trata de uma comunidade de prática que reúne, sobre uma base explícita, profissionais preocupados em compartilhar e melhorar suas competências. Essa distinção é importante. No modelo de Nonaka, ao servir a uma causa que a transcende é que a empresa serve ao seu interesse particular. Dessa forma, ela contribui dentro de uma comunidade orientada para enriquecer os conhecimentos operacionais do conjunto de seus membros cuja heterogeneidade é unificada pelo objetivo comum.

As palavras-chave dessa socialização são empatia e implicação plena ao modo samurai aqui e agora. Somente uma empatia verdadeira permite que “a concha do conhecimento tácito” se abra com confiança até manifestar elementos de que talvez nem tenha consciência. Essa alquimia, essa transformação qualitativa, no sentido asiático do termo, socializa um conhecimento tácito por meio de uma dinâmica de interações contínuas entre pontos de vista, experiências e competências diferentes mas que se encontram em uma mesma causa.

O sentido da implicação plena é um valor bem japonês; ela é absoluta e dedicada. Que isso aconteça em presença ou à distância, convém ser participativo com sinceridade e amor, segundo as próprias palavras de Nonaka, e também evitar a prioris que possam incitar a concha a se fechar. Assim, os funcionários de uma empresa participam de atividades em que seus produtos e serviços são apresentados, vendidos, utilizados, e mesmo, criticados. Isso pode acontecer em pontos de vendas, por meio de relações com redes de distribuição, fornecedores, comunidades de clientes e usuários, sites, internet… enfim, junto a todos os que estão em contato com suas prestações no mercado. Até concorrentes podem ser chamados a contribuir nesse movimento, incumbindo a empresa de assegurar um tempo de avanço no uso inovador dos conhecimentos criados.

Poderíamos dizer que essa primeira fase do modelo SECI preocupa-se mais com questões e incógnitas do que com a gestão de conhecimentos adquiridos. Sua perspectiva é fundamentalmente inovadora; não considera que tudo é conhecido e que nada possa ser aperfeiçoado, otimizado ou introduzido como novidade. Mais do que aplicar um método de socialização, trata-se de implicar-se com franqueza e lealdade a serviço da emergência de um conhecimento nascido das interações.

O conhecimento criado por meio do modelo SECI, de Nonaka, pode trazer um avanço temporal e operacional para a empresa que deve se traduzir de forma concreta. Ele possibilita a posição em situação vantajosa porque é mais justo, em harmonia dinâmica com a formulação de novas necessidades ou de redefinição das antigas. Como no combate entre dois samurais, aquele que sobrevive é o mais justo, pois o perdedor não está mais lá para constatar que se enganou ou que se confinou em uma representação ultrapassada. A mobilização em comunidades de conhecimento não é uma dançarina, um luxo ou um capricho para a empresa. Ela impõe-se como uma necessidade estratégica que deve estimular todos os seus membros, pois dela depende sua sobrevivência!

*. Por: Pierre Fayard é professor titular da Universidade de Poitiers, França, e atual Consul de Cooperação e Ação Cultural na Embaixada da França no Peru. É diretor do Centro franco-brasileiro de Documentação Técnica e Cientifica (CenDoTeC). O Ph.D estará no Brasil em outubro para participar do 10º Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento (KM Brasil 2011) [www.sbgc.org.br].

SBGC -Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento - Fundada em 2001, a SBGC – Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento é uma “Organização da Sociedade Civil de Interesse Público” (OSCIP), cujo objetivo é estimular a Gestão do Conhecimento no Brasil. Com esse fim, a instituição reúne profissionais e organizações em um grande fórum de discussão sobre os temas como: inovação e aprendizagem organizacional, colaboração e redes de valor, inteligência competitiva e de negócios, gestão de capital intelectual, economia criativa e trabalho, dentre outros de relevância para a Gestão do Conhecimento.

Pesquisadores como Ikujiro Nonaka (Japão), Tomas Davenport (EUA) e Karl Sveiby (Suécia) contribuíram com muitos dos conceitos que hoje são a base da Gestão do Conhecimento (Knowledge Management). O sistema ganhou grande impulso, a partir dos anos 90, com a crescente importância do conhecimento como recurso estratégico para a geração de valor agregado a produtos, serviços e processos. Hoje, sua disseminação em empresas brasileiras é fundamental para o desenvolvimento e para a competitividade do País. Entre os benefícios das boas práticas de Gestão do Conhecimento estão: ganhos de produtividade, maior capacidade de inovação, maior agilidade, eficiência, lucratividade, competitividade e sustentabilidade.

Atualmente a SBGC conta com doze unidades regionais nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo, Pernambuco, Santa Catarina, Pernambuco e no Distrito Federal. Entre as suas principais ações está a realização anual do Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento (KM Brasil), o qual congrega os setores acadêmico, público, privado e terceiro setor em torno debates sobre diversos assuntos de interesse estratégico.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

HOMENAGEM AO MILLÔR

Autobiografia de mim mesmo à maneira de mim próprio
Na sua estreia na revista Veja, em 1968, Millôr Fernandes apresentou-se com o texto que abaixo reproduzimos parcialmente:
“E lá vou eu de novo, sem freio nem pára-quedas (sic). Saiam da frente, ou debaixo que, se não estou radioativo, muito menos estou radiopassivo. Quando me sentei para escrever vinha tão cheio de idéias (sic) que só me saíam gêmeas, as palavras — reco-reco, tatibitate, ronronar, coré-coré, tom-tom, rema-rema, tintim-por-tintim. Fui obrigado a tomar uma pílula anticoncepcional. Agora estou bem, já não dói nada. Quem é que sou eu? Ah, que posso dizer? Como me espanta! Já não fazem Millôres como antigamente! Nasci pequeno e cresci aos poucos. Primeiro me fizeram os meios e, depois, as pontas. Só muito tarde cheguei aos extremos. Cabeça, tronco e membros, eis tudo. E não me revolto. Fiz três revoluções, todas perdidas. A primeira contra Deus, e ele me venceu com um sórdido milagre. A segunda com o destino, e ele me bateu, deixando-me só com seu pior enredo. A terceira contra mim mesmo, e a mim me consumi, e vim parar aqui. … Dou um boi pra não entrar numa briga. Dou uma boiada pra sair dela. …Aos quinze (anos) já era famoso em várias partes do mundo, todas elas no Brasil. Venho, em linha reta, de espanhóis e italianos. Dos espanhóis herdei a natural tentação do bravado, que já me levou a procurar colorir a vida com outras cores: céu feito de conhas de metal roxo e abóbora, mar todo vermelho, e mulheres azuis, verdes ciclames. Dos italianos que, tradicionalmente, dão para engraxates ou artistas, eu consegui conciliar as duas qualidades, emprestando um brilho novo ao humor nativo. Posso dizer que todo o País já riu de mim, embora poucos tenham rido do que é meu. Sou um crente, pois creio firmemente na descrença. …Creio que a terra é chata. Procuro não sê-lo. …Tudo o que não sei sempre ignorei sozinho. Nunca ninguém me ensinou a pensar, a escrever ou a desenhar, coisa que se percebe facilmente, examinando qualquer dos meus trabalhos. A esta altura da vida, além de descendente e vivo, sou, também, antepassado. É bem verdade que, como Adão e Eva, depois de comerem a maçã, não registraram a idéia (sic), daí em diante qualquer imbecil se achou no direito de fazer o mesmo. Só posso dizer, em abono meu, que ao repetir o Senhor, eu me empreguei a fundo. Em suma: um humorista nato. Muita gente, eu sei, preferiria que eu fosse um humorista morto, mas isso virá a seu tempo. Eles não perdem por esperar.” Há pouco tempo um jornal publicou que Millôr estava todo cheio de si por ter recebido, em sua casa, uma carta de um leitor que estava assim sobrescritada: “Millôr Ipanema” É a glória!








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Morre Millôr Fernandes



Millôr Fernandes morreu aos 87 anos, de falência múltipla dos órgãos, na noite da última terça-feira, 27 de março, segundo informou o Cemitério Memorial do Carmo, no bairro do Caju, Rio de Janeiro. Nascido no Rio de Janeiro, no dia 16 de agosto de 1923, foi registrado, contudo, em 27 de maio de 1924. Por isso, em diversos lugares, seu ano de nascimento aparece como 1924.
No perfil oficial do escritor no Twitter, uma mensagem postada nesta quarta diz: “o mestre foi… Nosso eterno carinho”.
Biografia
Perdeu o pai dois anos após seu nascimento e a mãe, cerca de seis anos depois. “Tive a sensação da injustiça da vida e concluí que Deus em absoluto não existia”, escreveu, sobre a infância na capital carioca.
Em 1938, deu início a sua carreira de jornalista, como repaginador da revista O Cruzeiro. No mesmo ano, escreveu o conto A Cigarra, ganhou um concurso da revista e foi promovido para o arquivo. Mais tarde, assinava a coluna Poste Escrito, sob o pseudônimo de Vão Gogo. Dirigiu também a revista em quadrinhos O Guri e Detetive, de contos policiais.
Em 1940, começou a colaborar com a seção As garotas do Alceu, como colorista. Em 1942, fez sua primeira tradução literária, do romance A estirpe do dragão, da americana Pearl S.Buck. Em 1946, lançou Eva sem costela – Um livro em defesa do homem, sob o pseudônimo de Adão Júnior. No ano seguinte, sua participação na revista O Cruzeiro já atingia a marca de dez seções por semana. Em alta, encontrou-se com Walt Disney, Vinicius de Moraes, César Lates e Carmen Miranda nos Estados Unidos, em 1948.
No ano seguinte, assinou seu primeiro roteiro para o cinema, com Modelo 19, filme que ganhou cinco prêmios Governador do Estado de São Paulo, entre eles Melhores diálogos para Millôr. Em 1951, lançou a revista Voga, que não fez sucesso.
Em 1955, dividiu com o desenhista americano Saul Steinberg o primeiro lugar da Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires, na Argentina. Nesse ano escreveu as peças Bonito como um Deus, Um elefante no caos, que lhe rendeu um prêmio de Melhor Autor pela Comissão Municipal de Teatro, e Pigmaleoa.
Em 1962, na edição de 10 de março de O Cruzeiro, passou a assinar como Millôr. Em 1969, foi um dos fundadores do jornal O Pasquim. Um ano depois, deixa a revista e começa a trabalhar no jornal Correio da Manhã. Em 1974, lançou a revista Pif-Paf, que fechou em seu oitavo número, por problemas financeiros. No ano seguinte, escreveu para Fernanda Montenegro a peça É…, que se tornou o seu grande sucesso teatral.
Em 1996, passou a colaborar com os jornais O Dia, O Estado de São Paulo e Correio Braziliense. Ao longo de sua carreira, escreveu mais de 30 livros em prosa, três de poesia, além de mais de quinze peças para teatro. Depois de colaborar com os principais jornais brasileiros, passou a escrever para a revista Veja, em setembro de 2004. Deixou a revista em 2009.